Voltamos de Ibitipoca, depois de um carnaval de chuva, sem um pingo de remorsos!
Nossa aventura fotográfica foi chuvosa sim, mas um total sucesso!
Perdeu quem preferiu ficar em casa, entre quatro paredes para não se molhar.
Começamos no sábado, pela manhã, por sinal uma manhã muito tranquila, nem parecia véspera de feriadão de carnaval. A estrada estava ótima, zero trânsito.
Após 4 horas de estrada vazia e asfaltada, chegamos ao trecho de 15 km de chão que deram o clima off-road ao nosso passeio. Afinal, a chuva que já dava sinal de que seria intermitente, não deu trégua no primeiro dia de nossa viagem, e portanto, não passamos ilesos pelo famoso ladeirão que antecipa a chegada a vila de Ibitipoca.
Era um atoleiro só, pura lama, tivemos que descer algumas vezes para desatolar a van. Miguel, nosso guardião todo poderoso, entrou na onda de fazer o bem para todos e quando vi, já estava de enxada na mão, ( onde foi que ele arrumou a enxada???) , tapando buracos e orientando todos os carros atolados, com seu chapéu de fazendeiro local, que lhe deu imediata autoridade para sinalizar aos vários motoristas que atônitos passavam por ali!
Enquanto isso, talvez por mérito de fazer o bem, fomos salvos por um abençoado tratorzinho que apareceu do nada, no momento exato para rebocar a van de um festival de patinação na lama ao longo de outra subida. Olhando em retrospectiva, foi divertido!
Digamos que isso foi apenas um obstáculo vencido pela força do grupo que, ao invés de abalar nossos ânimos, gerou um clima de que nenhuma dificuldade, iria deter nosso bom humor.
Para nosso consolo, quando chegamos a pousada, um lugar super acolhedor, nosso grupo de dez pessoas, já estava totalmente enturmado, com direito a intercâmbio cultural variado entre cariocas, uma baiana super divertida, flamenguista roxa, recém chegada da...Suíça! E uma porto-alegrense danada de dedicada a fotografia, sem medo de água fria!
Depois de todos acomodados e a van descarregada nosso final de tarde foi premiado com uma palestra do nosso mestre convidado Luiz Claudio Marigo, que fez uma introdução a fotografia de natureza falando sobre todo o seu equipamento.
O segundo dia amanheceu....;0) chuvoso!
Isso a principio foi literalmente um balde de água fria, mas após um café da manha super caprichado e reforçado com pão de canela, pão de banana, pão de goiaba e sei lá mais quantos tipos de pão, bolos, biscoitos, sucos e geléias...tivemos mais uma palestra fantástica do Marigo. É impressionante como ele tem histórias e coisas prá contar e ensinar. Dessa vez, tivemos a presença da sub-gestora e fotógrafa Rose Belcavelo que foi prestigiar a oficina.
A tarde, a chuva deu uma folga logo depois do almoço ( também super caprichado ) e fomos então ao parque para nossa oficina fotográfica da natureza local. Como uma dádiva após a chuva o parque estava especialmente lindo, com muitas flores com cores tão vivas e o rio mais caudaloso que eu já vi em muitas idas a Ibitipoca.
Esse clima rendeu belíssimas fotos.
Foi uma tarde muito produtiva e voltamos a vila de Ibitipoca para um tour de reconhecimento com direito a compras de lembrancinhas e claro, agasalhos de moleton e capinhas de chuva! Porque carioca que se preza, nunca está prevenido para tanta chuva. Já era noite quando voltamos a pousada.
Nosso jantar foi premiado com os famosos caldos mineiros incluindo o localmente chamado de “mandjá”(mandioca). Dai..., fechando nosso dia com chave de ouro, nos restava então um merecido e bem recebido descanso...
O terceiro dia amanheceu....;0) chuvoso! E então, ficou evidentemente impressionante a bagagem de palestras variadas que o Marigo tinha preparado para o evento e então o dia passou voando com a riqueza de fotografias belíssimas e de informações técnicas que recebemos deste profissional espetacular. A tarde fomos de novo a vila para mais comprinhas de souvenires e esse dia delicioso acabou em...pizza! que ninguém é de ferro, né?
Nosso quarto dia, não teve trégua, e mais uma vez a chuva continuava.
Mas isso não nos intimidou, já estávamos contaminados pelo espírito mineiro e a chuva não nos abalava mais. Enquanto alguns aproveitaram mais palestras e serviços da pousada eu, Miguel e Aline, ( a gaúcha ) fomos ao parque novamente para aplicar um pouco das muitas informações novas adquiridas. E foi maravilhoso, com chuva e tudo, rolou muita fotografia e no final fomos premiados com 5 minutos de estiagem que deu direito a banho no rio!
Ao final do dia comemoramos o aniversário da Cecília, esposa do Marigo, na pizzaria da cidade fechando nosso passeio com bolinho de aniversário .
A viagem de volta foi tão tranquila quanto a ida, com algumas patinadas na lama, mas dessa vez , como era descida foi mais fácil e correu tudo bem!
Ah, é claro, o sol saiu no dia de voltar para casa ;0) !
Agradeço ao Luiz Claudio Marigo e Cecília pela presença, pela paciência, e pela quantidade de informações que este profissional nos passou neste feriadão que com certeza ficara marcado em nossas vidas.
Ibitifotos....;0)
Por ser a região de maior incidência de relâmpagos do Brasil, os índios tupi-guarani batizaram de Ibitipoca uma serra magnífica
Segundo os geólogos, formações rochosas de quartizito são locais de grande acumulação de energia!
Pois era de energia que eu estava precisando quando fui parar lá, no último final de semana prolongado. Queria me isolar, meditar, respirar ar puro e claro, fotografar!
Então, o lugar perfeito surgiu: o Parque Estadual do Ibitipoca com seus
Aliás, os rios que cortam o parque, o Salto e o Vermelho são o “must” do lugar: suas cores variam de amarelo ovo até tons profundos de marrom escuro cristalino lembrando um copão de coca-cola ou de chá mate gelado!
É essa coloração inusitada que faz fotógrafos delirarem com as mil possibilidades de composições fotográficas, inusitadas e abstratas .
Vale ressaltar que a espuma que surge em meio a água escura e ácida em vários pontos das quedas d’água, não tem nada a ver com poluição. Longe disso, deve-se à alta porosidade do solo de quartzito, que permite a infiltração da água da chuva misturada com material orgânico, gerando um verdadeiro chá de matéria em decomposição.
O parque também se revela um campo fértil para a prática de macro-fotografia: existe por lá uma variedade infinita de flores minúsculas como sempre vivas, orquídeas, e bromélias, além de todos os tipos de cactus. Entre fungos e liquens, já foram catalogados lá mais de uma centena de espécies.
Animais mamíferos de grande porte são raros de avistar na parte baixa do parque, mas dizem os guarda-parques que estão por lá, nas partes altas a onça-parda, a pintada e o lobo-guará.
Já para os observadores de aves o Parque Estadual do Ibitipoca é o paraíso sobre a terra: lá já foram identificadas mais de 200 espécies de pássaros, correspondendo a 13% do total do país.
O “hiking” (caminhar por trilhas ecológicas) é um prazer fácil de cultivar no Parque Estadual do Ibitipoca: todas as trilhas são bem sinalizadas, e só se perde mesmo quem quiser esquecer da vida. Para a alegria dos mais preguiçosos, lá está a melhor relação custo benefício entre caminhadas curtas e paisagens estonteantes que conheço. Qualquer 20 minutos de suor leva a visuais altamente fotografáveis.
E para aqueles que tem limite raso para o isolamento, a Vila de Ibitipoca é um lugarzinho charmoso a poucos kilômetros do parque. Uma concentração urbana ao mesmo tempo, minúscula e cosmopolita pois é cheia de gente interessante de várias partes do Brasil que é cara do interior de Minas,
Lá a gente se sente em casa
Enfim, Ibitipoca é “demaisssss da conta!” Tem jeito não a gente fica “gaaaarraaarado messsmú!”
Eu recomendo!
Se quiser conferir algumas das minhas fotos tiradas durante o evento, clique na imagem e vá direto para a galeria Paraty em Fotos.
Comentários são sempre bem vindos.
Obrigada pela visita!
Nessa foto um encontro de representantes da resistência em produção cultural ligada a fotografia.
Márcio RM , o fotógrafo mais "on the road" que conheço. A última notícia que li recentemente ele estava produzindo sua quadragésima
exposição. "Uma idéia na cabeça e uma galeria na mão "...
Ele vai Brasil a fora, produzindo e mostrando fotografias em mostras coletivas e individuais que ele mesmo organiza..
Incessante energia!
Fernando Rabelo, o blogueiro já referência do Images & Visions http://imagesvisions.blogspot.com. Vale conferir.
Ricardo Siqueira, fotógrafo, geólogo e editor de livros autorais belíssimos. Já publicou 10 livros , todos esgotados.
Fortes e Faróis e Monumentos Geológicos para mim são dois clássicos.
E eu, no meios dessas figuras...
Isso é o Paraty em Foco!
Hoje eu estou que nem pinto no lixo.
Meus alunos chegaram. Está mais divertido dividir as informações. Ainda muitas palestras, encontros e exposições.
Encontrei alguns de meus ídolos, cara a cara e tive que tietar.
Estou indo para o leilão e depois a projeção de fotos da AFNATURA.
Conto mais logo mais...
Que delicia poder participar do Paraty em Foco. Respirar fotografia, da melhor qualidade por cinco dias seguidos.
O sol saiu hoje cedo, mas o clima está ameno, a cidade não esta tão cheia, as coisas estão funcionando direitinho , está tudo de bom.
O que me vem a cabeça é porque todos os fotógrafos que conheço não estão aqui
Para todos os lados fotografia: oficinas, palestras, exposições, instalações, entrevistas ao vivo retransmitidas em diversos points do evento , e tudo que está acontecendo nesse cenário clássico de cinema que é Paraty, sendo transmitido online no site oficial do Paraty em Foco.
Bela oxigenada na nossa rotina de fotógrafos. Uma inspiração!
Ontem a noite, o ponto alto foi uma entrevista com a lendária fotógrafa Maureen Bisilliat, uma lady inglesa radicada no Brasil desde os anos 50, sem papas na língua. Divertida e experiente deu uma aula de vida e fotografia contando histórias inusitadas de sua trajetória profissional demonstrando um entusiasmo juvenil do alto dos seus 78 anos.
Maureen começou como fotojornalista na editora Abril nos anos 50, produziu um fantástico ensaio fotográfico sobre os índios do Xingu nos anos 70 e desenvolveu clássicos ensaios fotográficos inspirados em grandes nomes da literatura brasileira como Guimarães Rosa e Jorge Amado. Hoje Maureen atua mais como curadora e videomaker, mas recentemente seu acervo foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles e uma grande retrospectiva de seu trabalho em 2006 deu uma sobrevida impactante a suas imagens.
Vale buscar no Google suas fotos e conferir a gravação na home do Paraty em Foco a entrevista feita pelo fotógrafo Juan Esteves. Tiradas magníficas sobre a arte de existir como fotógrafa em um Brasil onde segunda ela, tudo era mais simples e direto. Ela conclui brilhantemente que o que facilitou sua ascensão naquela época foi o fato de tudo ser mais difícil, ou seja , tudo o que ela fazia era visto como inédito, portanto surpreendia.
Modesta, afinal o que realmente surpreende no trabalho de Maureen, além de estar no lugar certo, na hora certa com a idéia certa na cabeça, é um domínio total da sua linguagem.
Hoje vou conferir a sua exposição Pele Preta, aqui em Paraty e tenho certeza que vou adorar.
Quem quiser pode conferir no link:
Foi um sucesso o bate-papo/palestra da Afnatura no Tom Jobim sábado. Aproximadamente 200 pessoas prestigiaram o evento que contou com o depoimento do renomado fotógrafo de natureza Luiz Cláudio Marigo sobre a história da fotografia de Natureza no Brasil. Segundo ele, pasmem, tudo começou nos idos de 1970 quando ele lançava suas fotos de várias espécies da fauna brasileira nos pacotinhos do chocolate surpresa . Seus colegas , companheiros dessa aventura e também pioneiros davam seus primeiros cliques focados exclusivamente na nossa biodiversidade: Zig Koch, Fábio Colombini e Silvestre Silva .
De lá para cá, muita água se sujou debaixo da ponte, muito bicho e planta sumiram para todo o sempre da face da terra, mas graças aos bons olhos dessas lentes heróicas, muito ficou registrado para ser mostrado as futuras gerações.
Então, 40 anos depois, fundamos uma associação que pretende defender os direitos da biodiversidade brasileira usando a fotografia como instrumento de preservação do meio ambiente. Esse importante papel foi reconhecido publicamente no dia do evento, na fala do ex-Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e do diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea , André Ilha que estavam presentes e se manifestaram totalmente a favor da atuação livre dos fotógrafos nas áreas protegidas. Ponto para a Afnatura e para o meio ambiente!
Se quiser saber mais, participar ou se cadastrar como fotógrafo amador ou profissional, acesse www.afnatura.org.br.
Divulgue essa idéia! O planeta agradece!
Amanhã , sábado, continuam as comemorações do Dia Mundial da Fotografia.
No teatro Tom Jobim do Jardim Botânico, vão estar presentes várias personalidades ligadas a fotografia de natureza e meio ambiente. O evento é promovido pela AFnatura , entidade fundada há exatamente um ano com objetivo de promover o encontro e debate sobre a fotografia de Natureza no Brasil. E para nosso deleite haverá uma projeção de fotos de todo o território nacional, produzida com o material de 34 dos mais importantes fotógrafos do país. Não percam!
Entre fotógrafos renomados estarão presentes LC Marigo e Zig Koch.A programação segue abaixo.
Estarei lá...